quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Neymar dando entrevista para o Globo Esporte.

Confira abaixo os principais trechos da entrevista exclusiva com Neymar:

 
                                                       GLOBOESPORTE: O corte moicano virou sua marca registrada. 
Como ele surgiu?

NEYMAR: Queria fazer o moicano há muito tempo, mas o meu pai pegava no meu pé e não deixava. Em 2010, eu estava com o cabelo muito grande e na concentração fiz o moicano. Lembro que fiz com o André. Fizemos o moicano, depois tinha o cabelo liso. A partir dali ficou. O meu pai só viu na hora do jogo. Quando cheguei em casa, ele disse: “quem mandou você fazer isso no cabelo?” Como todo mundo já tinha falado do corte, eu acabei ficando conhecido com esse corte. Gosto pelo visual.

Você é tímido?
Não sou um cara tímido. Já não era tímido com os meus amigos. Era mais fechado com a câmera, com a imprensa, era mais quieto. Com muitas entrevistas e câmeras, eu me acostumei com isso.

Você é uma referência para uma geração que aprendeu a gostar do seu futebol. Quem foi a sua referência?
Tento seguir os mesmos passos dos meus ídolos. Procuro ver um pouco do Robinho, do Kaká, do Zidane, do Ronaldo, do Romário. Pego um pouco de cada um e coloco em mim para que as crianças que gostam de mim possam seguir um bom exemplo.


É difícil ser o Neymar?
Gosto de ser eu mesmo. Por tudo o que eu passo, pelo carinho de todos. Fico muito feliz por todo esse reconhecimento.

A polêmica com o Dorival Júnior no Santos mexeu com você de alguma maneira?
Claro que foi ruim, mas foi positivo para o meu amadurecimento como profissional.

E os tempos de colégio? Sente falta do que viveu quando frequentava a escola?
Quando eu era mais novo, os meus amigos iam para o cinema numa sexta-feira à noite, mas o meu jogo era no sábado de manhã. Eu tinha que dormir cedo para descansar, meu pai não deixava eu sair. Ficava chateado, mas entendia o motivo daquilo tudo. O meu pai sabia que mais à frente eu colheria bons frutos. Graças a Deus eu o ouvi.

Se tivesse que definir o Neymar jogador com uma palavra. Qual seria?
Ousado. O André (ex-companheiro de Santos e atualmente no Dínamo de Kiev, da Ucrânia) é que ia gostar de ouvir isso (risos).

E a pessoa do Neymar?
Alegre, feliz.

Logo após a estreia contra o Paraguai, na última segunda-feira, você disse que quanto mais batiam nos brasileiros, mais eles queriam jogar futebol. Acha que pode ser interpretado de forma errada e passar a ser caçado em campo?
Acho que sim. Nem todos entendem a frase corretamente e acabam levando para o lado errado. Quis dizer que no calor do jogo, quando você fica nervoso e não pode bater no zagueiro (risos), você quer partir para cima dele e fazer o gol. Mas, no futebol, essa é a função do zagueiro, destruir a jogada. Já o atacante precisa partir para cima do zagueiro. Assim é o futebol.

Como se diverte jogando futebol?
Jogar futebol é o que eu gosto de fazer, é nisso que eu tenho alegria. Esperamos tanto tempo para chegar a hora do jogo que quando começa você precisa jogar com felicidade. Estando alegre, as jogadas saem naturalmente, os dribles. Esse é o segredo.

Aqui no Peru você é chamado de "novo Pelé", mas disse ter o estilo mais parecido com o do Garrincha. Como se sente sendo comparado aos dois?
Fico feliz de ser comparado com qualquer um dos dois. São excelentes jogadores e não tem o que dizer. São dois fantásticos do futebol mundial.

  
Você não fez chover no deserto de Tacna, mas fez a terra tremer (na última terça-feira um terremeto foi registado na cidade ao Sul do Peru)... É esse o comentário no hotel...
Não tem isso (risos). Fiz os gols, uma boa partida, mas nada mais. Tenho que seguir buscando as boas atuações para ajudar a Seleção.

Durante muito tempo, os jogadores profissionais buscavam repetir os lances do videogame. Hoje em dia é o contrário: os jogos de videogame tentam recriar a arte dos profissionais. O que pensa disso?
Não sou muito de inventar dribles, copio dos outros. Deixa o Ronaldinho, o Robinho, que sabem fazer isso muito bem. Eu só tento imitar os dois.

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